nov 07 2011
As Profundezas
Não creio que um dia se possa entender o sentimento que, em muitos, age mais forte que os próprios impulsos. O que te faz voltar ao mar? Incontestavelmente, a vontade de entendê-lo é fator decisivo.
Sentado, olhando a água cristalina que ronda meus pés, vejo as perguntas se formando cada vez mais nítidas em minha cabeça. Quero ir! As nadadeiras, a máscara ocupam seus lugares desta vez. Abaixo de mim, o infinito da vida. A maior perdição para uma mente que voa. Tantas cores, tantas formas, tantos movimentos, tanta estática, energia, preguiça, curiosidade e encantos. Uma vez compreendido que também se faz parte deste mundo, ele se torna parte de você. E somente a partir daí, se pode começar a compreendê-lo.
Entre descidas e subidas; respirações constantes; oxigenando o corpo; atingindo cada vez um novo limite, tentando sempre romper este tempo limitado que temos cada vez que atravessamos o portal. Entretanto, como uma dissolução, o tempo se esvai. Cada movimento, cada ação, cada batimento cardíaco se torna algo separado de qualquer relação com o tempo. As necessidades se tornam a prioridade, e uma vez privado de todo o resto, nada falta. A sensação da pressão da natureza em cima de cada parte do seu corpo, uma força diferente que muda tudo. O pensamento, a consiência se voltam absolutamente pro agora e o que está diante de você. Cada subida, um retorno. Cada respiração é uma nova inspiração.
Estas conexões, ligas permanentes entre energias combinadas muda tudo. Como um passe de mágica, a vida se torna mais tenra. Quanto mais as perguntas surgem, mais se cria. A resposta se torna obsoleta – se não sabes o que perguntar, de que vale a respota? Cada visão de uma onda, cada ruído do casco se tornam lições. Ao mesmo passo que navegamos pelo mar, a vida se cria bem em frente aos nossos olhos. Uma dança infinita, uma peça de teatro que nunca cessa, a qual contemplamos de camarote.


